Colóquio Acedle 2022

Didática(s), plurilinguismo(s), mundialização(ões)

17 e 18 de novembro de 2022 | Universidade de Aveiro

A didática de línguas e das culturas (DLC) é um campo plural, onde convivem investigações diversamente situadas, que questionam situações variadas, temáticas distintas, vizinhas ou complementares, de acordo com abordagens que privilegiam diferentes orientações e procedimentos ligados à apropriação de uma ou várias línguas pelos aprendentes e/ou aos papéis desempenhados por diferentes atores na apropriação da linguagem.

Os colóquios da Associação de Investigadores e Professores Didatas de Línguas Estrangeiras (Acedle) concebem-se como espaços de debate e encontro, onde todas estas sensibilidades se podem expressar e confrontar, e onde os investigadores discutem os seus trabalhos à luz do avanço do conhecimento em áreas próximas. Este ano, os organizadores optaram por questionar mais especificamente a noção de globalização como perspetiva de análise de situações didáticas. Podem, no entanto, ser considerados tópicos fora desta temática, desde que ofereçam um panorama relativamente amplo dos temas em investigação atualmente desenvolvidos em DLC.

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O CIDTFF (Centro de Investigação em Didática e Tecnologia na Formação de Formadores) da Universidade de Aveiro organiza, em colaboração com a Acedle (Associação de Investigadores e Professores Didatas de Línguas Estrangeiras), um colóquio internacional que reúne investigadores, professores, formadores, estudantes e diferentes atores do campo educativo e associativo ligados à área da Didática de Línguas e Culturas (DLC), para fazerem um balanço das investigações realizadas em torno da temática “Didática(s), plurilinguismo(s), mundialização(ões)”.

O termo “mundialização” remete para dinâmicas de diferentes tipos, com diferentes implicações no domínio do ensino e da aprendizagem de línguas, tanto em termos de políticas linguísticas (educativas), como de práticas e representações linguísticas, do currículo, de formação e de investigação em DLC. É nesta lógica que se assume o caráter heterogéneo e plural deste termo, ainda que ele também possa remeter para processos de homogeneização: ao contrário de termos como globalização, por exemplo, mundialização não significa aqui nem uniformização (de influências, de efeitos, de ritmos, ou até mesmo de acesso, de meios, de esforços e de consequências) nem homogeneização (de ideologias, de representações e de práticas).

No âmbito deste colóquio, questionaremos as relações entre ideologias, multilinguismo, plurilinguismo e dinâmicas de globalização na conceptualização e implementação de políticas linguísticas (educativas), ações de ensino, de formação e de investigação em DLC, prestando especial atenção às diferentes reações que essas globalizações suscitam, assim como às convergências observadas entre contextos geopolíticos e educativos bastante diferentes.

Por outro lado, a pandemia da COVID-19, que colocou em evidência os efeitos da globalização, impôs desafios que alteraram as formas e os espaços tradicionais de ensino e aprendizagem das línguas, especialmente nos sistemas educativos, ao mesmo tempo que estimulou iniciativas e a emergência de métodos de ensino renovados. Em DLC, o uso diversificado das TICE (Tecnologias da Informação e Comunicação para o Ensino), a compreensão da complexidade da noção de linguagem, de língua e dos fenómenos linguísticos e comunicacionais (incluindo a sua plurisemioticidade e multimodalidade), bem como a disseminação de abordagens plurais, levam a evoluções curriculares e formativas, questionam as práticas e as representações educativas dos docentes e dos formadores e provocam mudanças nos imaginários do ensino, da aprendizagem e da formação. Neste contexto, como pode a DLC, enquanto disciplina de investigação e intervenção, contribuir para o desenvolvimento de uma reflexão crítica sobre as ideias de crescimento e equidade e, consequentemente, pensar (didática, política, ética e epistemologicamente) a transição socioecológica?

Do ponto de vista epistemológico, num momento em que se discutem as hegemonias dos discursos, das representações e das práticas académicas como um dos grandes efeitos da globalização, evidenciando as suas implicações para o potencial de inovação, de transmissão e circulação de ideias, de conceitos e metodologias dominantes, surge a questão da “desvalorização epistémica”, ou mesmo do “epistemicídio” do conhecimento científico considerado periférico (mas mais contextualizado). Este colóquio será também uma oportunidade para nos debruçarmos sobre os processos de (des/re)colonização do conhecimento em DLC e, por esta via, sobre a relação (neo)colonial com o conhecimento e a (neo)colonização científica.

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